Conta certa lenda que uma mulher muito pobre, com uma criança no colo, passou diante de uma caverna e escutou uma voz misteriosa que de lá de dentro lhe dizia: "Entre e apanhe tudo o que desejar, mas não se esqueça da semente. Lembre-se, porém, de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça da semente..."
A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente:
"Você agora tem pouco tempo."
Esgotado o tempo, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas correu para fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, de que a criança lá ficara e a porta estava fechada para sempre!
A riqueza durou pouco, mas o desespero persistiu.
Nossas sementes são nossos amigos, nossos familiares, as pessoas que amamos, nossos sonhos, nossa fé, nosso trabalho, nosso compromisso com a vida; mas vamos ao mundo como se fossemos a uma feira, enchemos nossa sacola com fatos que nos fazem esquecer de nossos verdadeiros tesouros e de nós mesmos. Apesar do universo constantemente sussurrar em nossos ouvidos: "Não esqueça da semente", terminamos por esquecê-la.
Quando a porta se fecha é tarde; e ela se fecha no momento em que nos perdemos, trocando nossa divindade pela vaidade do ego e deixando trancadas para sempre dentro da caverna da existência as coisas que mais amamos.
"Não esqueça da semente..."